
por Julia Chilinski
Era uma vez, no Pólo Norte, não muito tempo atrás, o Papai Noel e os seus elfos eram preparando para o Natal. Já era dezembro, e tudo mudo se esforçava para completar todas as preparações a tempo. Os elfos construíam os joguetes rapidamente mas com muito cuidado, a Mamãe Noel passava todos os dias na cozinha fazendo biscoitos, as renas treinavam e faziam ginástico para estar prontas para a viagem, e o Papai Noel fazia listas das crianças bem-comportadas e malcomportadas.
Tinha muito que fazer e todos trabalhavam do dia e noite, mas como todos gostavam do Natal, o ambiente foi muito feliz. Eles sabiam que só tinham que trabalhar ate o Natal, e depois todos podiam descansar. Depois do Natal, o Papai e a Mamãe Natal normalmente passavam um mês na Florida, onde podiam misturar com os outros velhos sem ser reconhecidos. Os elfos viajavam à praia numa ilha caraíba por doze dias depois do Natal, para voltar sentindo relaxados e revigorados, prontos para inventar joguetes novos. Nesse momento, o elfo maior ia para o escritório do Papai Noel para discutir exatamente qual ilha eles iam visitar, porque tinha que fazer as preservações pelo menos um mês antecipadamente para receber o pacote de férias.
O elfo tocou a porta.
“Entra” falou o Papai Noel. O elfo maior, que se chamava Benjamim, entrou no escritório
“Oi, Papai,” falou Benjamim, “Você está muito ocupado?” O Papai Noel deixou a caneta na mesa e sorriu.
“Não muito, Benjamim,” contestou o velho feliz, “O que posso fazer para você?” O elfo tossiu.
“Bom, Papai, quero falar sobre as férias. Eu sei que geralmente a gente vai para Trinidad, mas esse ano a gente queria ir a um lugar novo, como a Jamaica ou a Republica Dominicana. Seria possível?” O elfo pareceu esperançoso, mas o sorriso tinha desaparecido da cara do Papai Noel.
O Papai Noel suspirou.
“Eu não queria falar disso, mas eu sabia que não podia evitar esse assunto para sempre. Benjamim, sinto muito, mas vocês devem saber que isso é uma recessão. Acho que esse ano não vai ser possível viajar a nenhum lugar, porque a gente não tem muito dinheiro...”
Benjamim ficou calado Ele não sabia o que dizer. Ainda estava processando a informação que acabou de ouvir.
“Mas talvez vocês gostariam de fazer uma festa aqui?” sugeriu o Papai. “A gente tem dinheiro para isso, se não é muito grande. A gente pode contratar o urso polar que dança, como é que se chama?” Benjamim não queria ter nenhuma festa com esse urso.
“Papai, a ultima vez que você convidou o urso, brigou com o Rodolfo. Ele não podia voar por um mês.” O Papai Noel tinha esquecido disso.
“Papai, isso não pode ser. Todos os elfos estão trabalhando muito duro agora. A gente trabalha do dia e da noite, e só pede uma féria. Isso não é muito, e a gente merece. Se você não vai dar, para que a gente deve trabalhar? Eu sei que tem recessão, mas aqui no Pólo Norte, não tem mudado muito.”
Isso foi certo, a recessão não tinha mudado muito para o Papai Noel. A verdade foi que ele tinha ido a uma festa na casa do Senhor Scrooge três semanas atrás, e tinha pedido muito dinheiro numa corrida de renas, o seu único vício. Ele ficou envergonhado e não queria dizer à Mamãe Noel, então decidiu culpar a economia
“Sinto muito, Benjamim, mas desafortunadamente a gente vai ter que fazer uns quantos cortes no orçamento.”
“Mas você nem paga! A gente trabalha e trabalha, e só pede comida, um lugar para dormir, e férias! Isso não é justo, Papai.”
“Lamento muito, mas não tem outra maneira, Benjamim” Mas já era tarde. O elfo saiu do escritório com raiva, deixando o pobre Papai Noel só.
Benjamim chegou à fábrica e parou toda a produção. Explicou aos outros elfos a circunstância, e eles decidiram organizar uma greve. Saíram da fábrica e foram para os estábulos, onde liberaram às renas. O Papai Noel, sabendo que os elfos não gostariam das notícias, ficou no seu escritório Ele sabia que os elfos ficariam com raiva, mas não antecipou muitas conseqüências, e por isso ficou surpreendido quando a Mamãe Noel chegou, chorando, na sua porta.
“Mamãe, o que aconteceu?” perguntou o seu esposo, preocupado.
“As renas comeram todos os biscoitos! Eu passei semanas preparando, e agora todos são comidos!” O Papai Noel ficou confundido.
“As renas? Mas, como?”
“Os elfos liberaram! Você não sabe? Eles estão em greve!” Greve? O Papai Noel nunca imaginou que isso aconteceria. Sabia que eles não seriam muito felizes, mas uma greve? Isso foi muito mal.
“O que a gente vai fazer, Papai? A gente tem tanto que fazer e agora não tem ninguém para ajudar!”
A Mamãe Noel era correta Pois, pensou o Papai Noel, quase correta
“A gente tem os gnomos,” contestou o Papai.
“Os gnomos?” a Mamãe Noel ficou um pouco cética.
“Sim, os gnomos. Eles trabalham muito bem nas minas de carvão. Porque a gente não promove?” O Papai Noel ficou muito feliz com a sua nova idéia Gnomos parecem muito aos elfos, ele pensou. Devem ser quase iguais, e não vão pedir férias.
“Não sei...” falou a Mamãe Noel. “Eu nunca gostei dos gnomos.”
Mas o Papai Noel não fez caso. Ligou para as Minas de Carvão e convidou o gnomo maior vir para o seu escritório Propôs a idéia, e os gnomos aceitaram com muito ânimo. Viram à fábrica e começaram trabalhar imediatamente.
O Papai Natal ficou feliz. Foi a procurar um bando de gansos canadenses para puxar o trenó.
Quando voltou, encontrou um desastre. Os gnomos estavam brigando, os joguetes eram ou feios ou quebrados, e a Mamãe Noel estava chorando.
“Papai,” ela chorou, “gnomos são muito diferentes do que os elfos!”
“É o que estou vendo,” contestou um Papai Noel muito triste.
O Papai Noel foi para o seu escritório, fechou a porta, e começou chorar.
“Eu destrui o Natal!” ele lamentou. “É quase a Véspera e não vou poder fazer nada. Não tenho joguetes, não tenho biscoitos, não tenho renas, e não tenho elfos para me ajudar! Não tenho nada! Só tenho gnomos, e eles só sabem trabalhar nas minas. Então só tenho carvão!”
A Mamãe Noel chegou no escritório
“Papai, porque todo isso está acontecendo?” perguntou. O Papai Noel decidiu contestar honestamente. Falou a verdade, que ele tinha perdido todo o seu dinheiro e que, por lhes mentir, tinha perdido a ajuda dos elfos.
A Mamãe Noel ficou calada um momento. Sem dizer nada, saiu do escritório O Papai Noel era tão perturbado que ele não a seguiu.
“Perdi o meu dinheiro, perdi os meus empregados, e agora perdi a minha esposa. O que vou fazer? Eu arruinei o Natal! Vou ter que passar o resto da minha vida sentado num shopping! Todos vão pensar que eu sou falso! Eu estou arruinado.”
Mas isso não foi. Umas horas depois, quando o Papai Natal já estava muito arrependido por o que tinha feito, a Mamãe Noel voltou, sentada numa rena voadora, e seguida pelos elfos.
“Papai, anima-se” falou a Mamãe.
“Não,” falou o Papai Noel. “Não tem porquê.”
“Tem,” contestou a Mamãe Noel. “Tem esperança. Eu fui falar com o Senhor Scrooge, e resolvei todo. Aparentemente, ele falou com três fantasmas do Natal e teve uma epifania. Devolveu o dinheiro, e deu até mais. Agora os elfos podem ir de férias onde eles quiserem!”
O Papai Noel ficou chocado. Era verdade?
“Então... Vai ter o Natal?” perguntou o velho, incrédulo.
“Se a gente trabalha rapidamente,” contestou Benjamim, quem tinha voltado com os demais.
E isso foi exatamente o que aconteceu. Os elfos trabalhavam mais do que nunca, a Mamãe Noel fazia mais biscoitos, o Papai Noel jurou que nunca mais jogaria com o dinheiro, e os gansos canadenses foram liberados quando voltaram as renas. Ao fim de tudo, o Natal foi muito bonito, e os elfos foram de férias na Jamaica por catorze dias em vez de doze. E todos viveram felizes para sempre.
Fim
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